Enquanto quis Fortuna que tivesse.../While Fortune Willed... - Luís Vaz de Camões (1524-1580)

30/09/2026 · Washington Geraldo de Oliveira - Vídeo Poesia

Descrição

TEXTO ORIGINAL EM PORTUGUÊS

Enquanto quis Fortuna que tivesse... - Luís Vaz de Camões (1524-1580)

Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co'o tormento,
Para que seus enganos não disesse

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

TEXTO TRADUZIDO PARA O INGLÊS

While Fortune Willed That I Should Have... - Luís Vaz de Camões (1524–1580)

While Fortune willed that I should still possess
Some hope of happiness and contentment,
The pleasure of a gentle thought
Made me set down in words its consequence.
But Love, fearing that my written page
Might warn some mind untouched and free,
Darkened my wit with suffering,
So that I might not tell of all his deceits.
O you whom Love compels to be subjected
To many different wills! When you shall read
Within a little book such varied cases,
Know that they are pure truths and not defects;
And know that, according to the love you bear,
So shall you understand my verses.

BREVE CONTEXTO DO POEMA

Este soneto funciona quase como uma declaração poética de Camões sobre a própria poesia amorosa. O eu lírico explica que, enquanto ainda possuía alguma esperança de felicidade, conseguia transformar a experiência amorosa em versos. Depois, porém, o próprio Amor — personificado como força poderosa e enganadora — obscurece-lhe o entendimento por meio do sofrimento.
O movimento do poema é muito interessante: Camões passa da experiência pessoal para uma reflexão sobre o próprio leitor. Nos tercetos, dirige-se diretamente àqueles que também estão submetidos ao Amor e afirma que as aparentes contradições dos seus versos não são erros, mas “verdades puras”.

CAMÕES, BREVE BIOGRAFIA

Luís Vaz de Camões foi um poeta português, frequentemente considerado o maior escritor de Portugal.
Ele nasceu por volta de 1524, provavelmente em Lisboa, e viveu durante o Renascimento português. Camões é mais conhecido pelo seu poema épico "Os Lusíadas," que celebra as viagens de Vasco da Gama e o espírito da exploração portuguesa.
Ele passou algum tempo em Goa, Moçambique e Macau e é conhecido pelo seu lirismo profundo e sua poesia complexa, muitas vezes pessoal. Ele morreu em 1580.
Apesar de sua obra monumental que é "Os Lusíadas", Camões deixou cerca de 359 sonetos.

OS SONETOS DE CAMÕES

Se "Os Lusíadas" que quase foram perdidos num naufrágio, sempre estiveram na posse de Camões, o mesmo não pode ser dito em relação aos seus sonetos.
Consta que Camões teve subtraída sua completa produção de sonetos, mas, felizmente, o fato não fez nosso poeta esmorecer, porquanto, diante dessa situação Camões trilhou um árduo caminho para reencontrá-los, uma busca dificultada pelo fato de que foram espalhados por diversos sítios.
Dessa forma, o poeta não conseguiu reuni-los todos e houve a necessidade de restaurar muitos de memória e, infelizmente, muitos se perderam para sempre.
A tentativa de reunir todos os sonetos continuou após a morte do poeta, levada a cabo por seus amigos e admiradores e o acervo foi se avolumando.
Ocorre que, em meados do século XX, começou-se a duvidadar da autenticidade de vários desses sonetos, pois sua quantidade era demasiada.
A partir dessa constatação, iniciou-se um processo de depuração de todo esse material e, consequentemente, houve a diminuição da quantidade desses escritos que eram, equivocadamente ou intencionalmente, atribuídos a Camões.
No momento em que escrevo, 25 de junho de 2026, presume-se que a quantidade de sonetos que, verdadeiramente, saíram da pena do poeta seja de 359 - segundo a edição que tenho em meu poder: "Sonetos Completos de Camões", por R. Freitas.
Isso tende a variar, conforme a obra que se pesquise.

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Palavra-chave: tempo em moçambique

Comentários da comunidade

@washingtongeraldodeoliveir8338 YouTube · 29/09/2026 · 👍 2

TEXTO ORIGINAL EM PORTUGUÊS Enquanto quis Fortuna que tivesse... - Luís Vaz de Camões (1524-1580) Enquanto quis Fortuna que tivesse Esperança de algum contentamento, O gosto de um suave pensamento Me fez que seus efeitos escrevesse. Porém, temendo Amor que aviso desse Minha escritura a algum juízo isento, Escureceu-me o engenho co'o tormento, Para que seus enganos não disesse Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos A diversas vontades! Quando lerdes Num breve livro casos tão diversos, Verdades puras são e não defeitos; E sabei que, segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos. TEXTO TRADUZIDO PARA O INGLÊS While Fortune Willed That I Should Have... - Luís Vaz de Camões (1524–1580) While Fortune willed that I should still possess Some hope of happiness and contentment, The pleasure of a gentle thought Made me set down in words its consequence. But Love, fearing that my written page Might warn some mind untouched and free, Darkened my wit with suffering, So that I might not tell of all his deceits. O you whom Love compels to be subjected To many different wills! When you shall read Within a little book such varied cases, Know that they are pure truths and not defects; And know that, according to the love you bear, So shall you understand my verses. BREVE CONTEXTO DO POEMA Este soneto funciona quase como uma declaração poética de Camões sobre a própria poesia amorosa. O eu lírico explica que, enquanto ainda possuía alguma esperança de felicidade, conseguia transformar a experiência amorosa em versos. Depois, porém, o próprio Amor — personificado como força poderosa e enganadora — obscurece-lhe o entendimento por meio do sofrimento. O movimento do poema é muito interessante: Camões passa da experiência pessoal para uma reflexão sobre o próprio leitor. Nos tercetos, dirige-se diretamente àqueles que também estão submetidos ao Amor e afirma que as aparentes contradições dos seus versos não são erros, mas “verdades puras”. Isso se liga a uma característica central da lírica camoniana: o amor é contraditório, instável e frequentemente impossível de compreender racionalmente. Por isso, somente quem realmente experimentou o amor poderá compreender plenamente aquilo que o poeta escreve. O verso final sintetiza essa ideia: “E sabei que, segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos.” Ou seja: o grau de compreensão da poesia depende da experiência amorosa do leitor. Há ainda uma forte presença da tradição clássica e petrarquista. Fortuna e Amor aparecem personificados como forças capazes de governar o destino e o espírito humano, enquanto o poeta surge como alguém submetido a poderes que ultrapassam sua vontade. CAMÕES, BREVE BIOGRAFIA Luís Vaz de Camões foi um poeta português, frequentemente considerado o maior escritor de Portugal. Ele nasceu por volta de 1524, provavelmente em Lisboa, e viveu durante o Renascimento português. Camões é mais conhecido pelo seu poema épico "Os Lusíadas," que celebra as viagens de Vasco da Gama e o espírito da exploração portuguesa. Ele passou algum tempo em Goa, Moçambique e Macau e é conhecido pelo seu lirismo profundo e sua poesia complexa, muitas vezes pessoal. Ele morreu em 1580. Apesar de sua obra monumental que é "Os Lusíadas", Camões deixou cerca de 359 sonetos. OS SONETOS DE CAMÕES Se "Os Lusíadas" que quase foram perdidos num naufrágio, sempre estiveram na posse de Camões, o mesmo não pode ser dito em relação aos seus sonetos. Consta que Camões teve subtraída sua completa produção de sonetos, mas, felizmente, o fato não fez nosso poeta esmorecer, porquanto, diante dessa situação Camões trilhou um árduo caminho para reencontrá-los, uma busca dificultada pelo fato de que foram espalhados por diversos sítios. Dessa forma, o poeta não conseguiu reuni-los todos e houve a necessidade de restaurar muitos de memória e, infelizmente, muitos se perderam para sempre. A tentativa de reunir todos os sonetos continuou após a morte do poeta, levada a cabo por seus amigos e admiradores e o acervo foi se avolumando. Ocorre que, em meados do século XX, começou-se a duvidadar da autenticidade de vários desses sonetos, pois sua quantidade era demasiada. A partir dessa constatação, iniciou-se um processo de depuração de todo esse material e, consequentemente, houve a diminuição da quantidade desses escritos que eram, equivocadamente ou intencionalmente, atribuídos a Camões. No momento em que escrevo, 25 de junho de 2026, presume-se que a quantidade de sonetos que, verdadeiramente, saíram da pena do poeta seja de 359 - segundo a edição que tenho em meu poder: "Sonetos Completos de Camões", por R. Freitas. Isso tende a variar, conforme a obra que se pesquise. #LuísDeCamões #Camões #EnquantoQuisFortuna #PoesiaPortuguesa #LiteraturaPortuguesa #Soneto #SonetoCamoniano #PoesiaClássica #Renascimento #Classicismo #LíricaCamoniana #PoesiaAmorosa #Amor #Fortuna #Petrarquismo #LiteraturaClássica #Poesia #Literatura #SéculoXVI #RenascimentoPortuguês #PoetaPortuguês #LuisDeCamoes #Camoes #PortuguesePoetry #PortugueseLiterature #Sonnet #RenaissancePoetry #RenaissanceLiterature #ClassicalPoetry #LovePoetry #Fortune #Love #Petrarchism #PortugueseRenaissance #LyricPoetry #Poetry #Literature #SixteenthCentury #PortugueseClassics