Como era viver em Belém em 1910: a cidade que chegava de barco

21/10/2026 · Ruas de Outros Tempos

Descrição

Antes de o sol nascer sobre a baía do Guajará, Belém já recebe o dia de barco. Canoas de velas tingidas de casca descem das ilhas e dos rios com açaí, peixe e farinha-d’água e encostam na pedra do Ver-o-Peso — a beira onde, desde o tempo da Colônia, a cidade pesava o que chegava e cobrava sobre o peso. Em 1901, ali se abre um mercado de ferro de quatro torrezinhas. E, numa porta da Campina, um pedaço de pano vermelho avisa: aqui tem açaí.

Neste episódio, passamos um dia inteiro no Ver-o-Peso entre 1900 e 1930 — com quem remava, quem atravessava, quem amassava o açaí e quem vendia na pedra — e seguimos a cidade da borracha até a queda: os tabuleiros quebrados pelos peixeiros em janeiro de 1911, o incêndio de 1912, o mergulho do preço da borracha e a turma de rapazes pobres que se reunia entre as frigideiras de peixe.

A canoa e a mulher do pano vermelho do começo são retratos de muitas; os nomes, as datas e os preços vêm de documentos. Quando as fontes não coincidem, contamos as versões.

📌 O que você vai descobrir
• O nome e o lugar: o antigo tributo do haver-o-peso e as três datas do seu nascimento (1625, 1627 e a provisão régia de 1688), a doca aberta sobre um igarapé aterrado e o mercado de ferro de 1901 — com as versões sobre quem o projetou e de onde veio o ferro.
• Quem chegava de barco e o que se vendia: as vigilengas de velas tingidas, os remadores indígenas e caboclos, o atravessador preso na beira em 1898, a farinha-d’água, o pirarucu e o açaí amassado à mão — e quanto custavam em réis o pão, o litro de açaí, o pato no tucupi e o quilo de pirarucu.
• O pano vermelho e as duas Belém: por que um viajante francês não achou açaí nos cafés finos, açúcar na tigela dos palacetes e farinha na cuia do Jurunas, as regras do intendente Antônio Lemos e um dia inteiro na beira, do garapeiro das quatro da manhã à tacacazeira do fim da tarde.
• A virada e o que ficou: a revolta dos peixeiros contra os tabuleiros obrigatórios em 1911, a queda de Lemos e da borracha, a Academia do Peixe Frito de Bruno de Menezes, a maré de março e o Círio — e hoje, a feira do açaí de madrugada, as erveiras, as tacacazeiras e a bandeirinha vermelha nas portas.
Conteúdo educativo e histórico.

📚 Principais fontes
• Paul Walle, “Au pays de l’or noir: Pará, Amazonas, Matto Grosso”, Paris, 1909
• Sidiana da Consolação Ferreira de Macêdo, “A cozinha mestiça: uma história da alimentação em Belém (fins do século XIX a meados do século XX)”, tese de doutorado, PPHIST/UFPA, 2016
• Celma Chaves e Ana Paula Claudino Gonçalves, “O mercado público em Belém: arquitetura e inserção urbanística”, IV Colóquio Internacional sobre o Comércio e Cidade, Uberlândia, 2013
• Adriana Modesto Coimbra, “O clarão que iluminou a cidade: as concessões Bolonha e a derrocada da ‘era Lemos’”, Urbana, v. 5, n. 7, CIEC/Unicamp, 2013
• Carla Soares Pereira, Katia de Souza da Silva, Vanda do Socorro Furtado Amin e Paulo Jorge Martins Nunes, “Belém e a Academia do Peixe Frito: fisiognomias em Bruno de Menezes e Dalcídio Jurandir”, Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 14, n. 3, 2019
— e outras fontes.

#HistóriaDoBrasil #Belém #VerOPeso #Pará #PrimeiraRepública #VidaCotidiana #Açaí #Documentário

ℹ️ Sobre este vídeo
Material educativo e histórico. Roteiro, pesquisa e edição são autorais e se baseiam nas fontes citadas na descrição. Parte das imagens são reconstruções ilustrativas criadas com ajuda de inteligência artificial, e não registros autênticos; fotos de arquivo e de banco de imagens são usadas quando houver. A voz do narrador é gerada por inteligência artificial. A narrativa foi simplificada para o grande público e pode conter pequenas aproximações. Nosso objetivo é contar e preservar a memória.

🕰️ Contexto histórico
Os fatos narrados aconteceram em condições legais e sociais muito diferentes das de hoje. Eles são apresentados para ajudar a entender a história, sem a intenção de justificar ou condenar nenhuma pessoa, comunidade ou grupo.

Palavra-chave: cidade da beira

Comentários da comunidade

@AnaMariaAbrahaoMaria YouTube · 21/10/2026 · 👍 1

Sou de Belém , bairro do marco , e neta de turco , meu pai contava muitas histórias de Belém, eu achava muito interessante 👍

@RDDamasceno-h3s YouTube · 20/10/2026

Sou de Ponta de Pedras ( ilha de Marajó). Meus avós trabalham muito indo a vela pra Belém levando borracha. Hoje o legado continua cm meu tio e primos levando açaí pro ver-o-peso.

@rocicleydias9215 YouTube · 19/10/2026 · 👍 1

Que Canal legal. Parabéns pelo trabalho! Sou Prof. de História e Língua Portuguesa, e notei muito rigor em sua pesquisa. Isso, em história, é fundamental: haver o rigor na pesquisa. Rocicley Dias, Breves, Marajó, Pará. 🤝

@ruasdeoutrostemposbr YouTube · 13/10/2026 · 👍 7

Para contar Belém por dentro, passo semanas em jornais paraenses, fotografias do porto e relatos de viajantes — mas o que as famílias sabem não está em arquivo nenhum. Se você é da Cidade Velha, do Jurunas, do Guamá ou de alguma ilha em frente a Belém, ou se alguém da sua família remava canoa, vendia açaí, peixe ou ervas no Ver-o-Peso, conte o que ficou: a hora da maré, o alguidar da avó, o banho de cheiro, o Círio da família — e o que eu errei. Leio todos os comentários, e muitos viram novos episódios. E de onde você está assistindo?

@HelenaCadete-u5i YouTube · 18/10/2026 · 👍 1

De Belém, Pará, Brasil, às 22:21 horas. Não sou paraense, mas cheguei aqui há 49 anos, e trouxe comigo meu filho, nascido em Brasilia, e acabamos ficando por aqui. Hoje ele casou e voltou para Brasília.

@andreamarques6446 YouTube · 17/10/2026 · 👍 1

Belém Pará Bairro: são braz Meu bisavó vendia açai ❤❤

@Sonia-er2ge YouTube · 20/10/2026

Sou de Belém do Pará, nascida no centro. i950. Hoje com 76 anos. Morei em muitos bairros. Hoje, 2026 no bairro da Marambaia (chamada: Marambaia velha - após chegar a Marambaia nova, lá pelos lados do Entroncamento).