Casada aos DEZ. Conspirou contra o marido. Morreu vigiada: Carlota Joaquina

17/09/2026 · Haider

Descrição

Casada aos DEZ. Conspirou contra o marido. Morreu vigiada: Carlota Joaquina

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Ao amanhecer de 7 de janeiro de 1830, uma criada entra num quarto lateral do Palácio Nacional de Queluz para acender a lareira. Encontra a rainha morta, deitada de bruços, com um crucifixo entre as mãos. Cinquenta e quatro anos e oito meses. O boletim médico registará apoplexia cardíaca. Não é uma câmara de rainha: é um pavilhão secundário, com corte reduzida a cinco pessoas e dois soldados da guarda real à porta há dois anos e nove meses. Sobre a mesinha, um livro aberto nas Epístolas de São Paulo em espanhol e uma medalha do Marquês de Pombal com um alfinete atravessado no pescoço da imagem. Filha do rei Carlos Quarto de Espanha, casada aos dez anos com o herdeiro do trono português, mãe do imperador do Brasil e do rei absolutista de Portugal, atravessou por duas vezes o Atlântico, sobreviveu a duas invasões francesas e a uma revolução liberal. Nunca jurou a Constituição de 1822. Ninguém, em oito anos, conseguiu obrigá-la. Ao chegar de Lisboa duas horas depois, o filho rei entra no quarto. Lê uma carta lacrada deixada na mesinha de cabeceira. Queima-a na lareira antes de a mãe ficar fria.

0:00 Abertura — Queluz, 7 de janeiro de 1830
3:40 Ato I — A infanta de Aranjuez
6:55 Ato II — Uma menina espanhola no trono português
12:11 Ato III — A rainha do Brasil
17:31 Ato IV — Volta a Portugal
20:01 Ato V — Abrilada, Ramalhão e Queluz
25:47 O regresso ao princípio
27:50 Finale

Nota sobre atribuições. Três frases atribuídas a Carlota Joaquina neste episódio provêm de memórias e testemunhos de época, sem documento primário datado: «A minha filha vai ter de casar com quem eu ordenar» (memórias de dama espanhola, Madrid 1809), «Que horror. Antes Luanda, Moçambique ou Timor» (Salvador da Bahia, 22 de janeiro de 1808) e «Desta terra eu não levo nem o pó» (doca do Rio de Janeiro, 26 de abril de 1821). Esta última é dada como voz popular e tradição de folhetim brasileiro do século dezanove, sem ata oficial. Os rumores sobre o envenenamento de João Sexto por laranja em março de 1826 circularam em despachos diplomáticos ingleses e franceses e nunca foram confirmados nos autos portugueses. A carta lacrada queimada por Miguel Primeiro é referida em memórias publicadas em Madrid em 1857 e nunca foi vista por historiadores modernos.

Fontes:
Carlota Joaquina of Spain — https://en.wikipedia.org/wiki/Carlota_Joaquina_of_Spain
Carlota Joaquina de Espanha — https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlota_Joaquina_de_Espanha
Transfer of the Portuguese Court to Brazil — https://en.wikipedia.org/wiki/Transfer_of_the_Portuguese_Court_to_Brazil
Carlotism — https://en.wikipedia.org/wiki/Carlotism
Abrilada — https://en.wikipedia.org/wiki/Abrilada
Liberal Revolution of 1820 — https://en.wikipedia.org/wiki/Liberal_Revolution_of_1820
John VI of Portugal — https://en.wikipedia.org/wiki/John_VI_of_Portugal
Morte de D. Carlota Joaquina, Magazine O Leme — https://www.leme.pt/magazine/efemerides/0107/carlota-joaquina.html

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