CAHORA BASSA: A BATALHA PELA BARRAGEM QUE PORTUGAL NÃO QUIS PERDER

04/09/2026 · Navegar Histórico

Descrição

Cahora Bassa e a Operação Fronteira: o documentário mais rigoroso sobre a batalha militar que Portugal ganhou, e o projeto político que perdeu antes de acabar.

Em 1969, Portugal assinou o maior contrato de engenharia da sua história colonial: a construção da barragem de Cahora Bassa sobre o Rio Zambeze, no distrito de Tete, em Moçambique. Uma obra de 2.075 megawatts. Uma linha de transmissão de 1.414 quilómetros até à África do Sul. E um plano para instalar um milhão de colonos europeus no Vale do Zambeze, tornando a permanência portuguesa em África demograficamente irreversível.

Do outro lado da fronteira, Samora Machel, Presidente da FRELIMO desde maio de 1970, emitia a sua directiva: "Cahora Bassa é um crime que nunca deve ser concluído."

E assim começou uma das guerras dentro da guerra, o confronto de cinco anos entre o Anel de Ferro português e a guerrilha da FRELIMO pelo controlo do Rio Zambeze.

FACTOS VERIFICADOS:

✅ Contrato ZAMCO assinado a 19 de setembro de 1969 — maioria de capital alemão-ocidental;
✅ Exercício ALCORA aprovado a 28 de outubro de 1970 — aliança secreta Portugal, África do Sul e Rodésia — Arquivo da Defesa Nacional, ADN F2.1.64.241.2;
✅ Actividade da FRELIMO aumentou mais de 40% no 1.º trimestre de 1970 — Relatórios do Comando-Chefe das Forças Armadas em Moçambique;
✅ Operação Abanadela — 20 a 30 julho de 1970 — Fuzileiros no Zambeze — CD25A, Universidade de Coimbra;
✅ Operação Penada — abril de 1972 — BCP31 em Furancungo;
✅ Em setembro de 1971, um relatório interno da PIDE/DGS exigia a substituição imediata de Kaúlza de Arriaga;
✅ Comportas do Zambeze fechadas a 6 de dezembro de 1974;
✅ Em 1984, a HCB funcionava a 1% da capacidade — destruição das linhas pela RENAMO;
✅ Portugal manteve 82% do capital da HCB até 2007 — 32 anos após a independência.

FONTES E REFERÊNCIAS UTILIZADAS:

— Arquivo Histórico Militar (AHM), colecção Zona Operacional de Tete, Cx. 370;
— Arquivo da Defesa Nacional (ADN/CEMGFA) — Inventário Analítico 2018;
— Isaacman, Allen & Barbara — Cahora Bassa: Extending South Africa's Tentacles of Empire (Yale Agrarian Studies, 2013);
— Afonso, Aniceto — "Guerra Colonial: Uma Aliança Escondida", Nação e Defesa, 2017;
— Guerracolonial.pt — Sínteses Militares 1969–1974;
— Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra;
— RTP Ensina — "Cahora Bassa, na garganta do Zambeze", 2024;
— Machel, Samora — Discurso na fundação da República Popular de Moçambique, 1975.

⚠️ DISCLAIMER / AVISO EDITORIAL

Este documentário é produzido exclusivamente com fins históricos, educativos e culturais pelo canal Navegar Histórico. Todos os factos, datas, designações de unidades militares e citações foram verificados em fontes primárias e secundárias credenciadas antes da publicação, incluindo o Arquivo Histórico Militar, o Arquivo da Defesa Nacional e publicações académicas revisadas por pares.

O Navegar Histórico não representa, apoia nem promove qualquer partido político, movimento ideológico ou posição sobre os processos de descolonização. A análise histórica apresentada é factual, baseada em documentos, e não constitui uma tomada de posição política sobre qualquer das partes envolvidas no conflito.

As imagens e fotografias de arquivo históricas utilizadas são de domínio público ou usadas ao abrigo do direito de citação para fins educativos e documentais, nos termos do artigo 75.º do Código do Direito de Autor e Direitos Conexos (CDADC) de Portugal.

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Comentários

@Navegarhistórico · 02/09/2026 · 👍 3

NOTA EDITORIAL DO NAVEGAR HISTÓRICO Este documentário foi construído a partir de fontes primárias documentadas, incluindo o Arquivo Histórico Militar (AHM, Cx. 370 — Planos da Zona Operacional de Tete) e o Arquivo da Defesa Nacional (ADN/CEMGFA). Os três factos que mais surpreenderam na investigação: 1. O Exercício ALCORA — a aliança militar secreta entre Portugal, a África do Sul e a Rodésia, aprovada em outubro de 1970, incluía o uso de pisteiros rodesianos nas operações de rastreio em torno de Cahora Bassa. O anel de Tete era parcialmente operado por nacionais de um terceiro país, sob cobertura de cooperação secreta. 2. Em setembro de 1971, um relatório interno da PIDE/DGS exigia a substituição imediata de Kaúlza de Arriaga, o próprio Comandante-Chefe estava a ser avaliado negativamente pela polícia política do governo. 3. Em 1984, dez anos após a independência, a barragem que Portugal defendeu durante cinco anos com o BCP31, o BCP32, os Comandos e os Grupos Especiais funcionava a 1% da sua capacidade. As linhas de transmissão tinham sido destruídas pela RENAMO, apoiada pela mesma África do Sul que era o cliente contratual da energia de Cahora Bassa. Apoia o Navegar Histórico! Se gostas dos nossos conteúdos: Deixa o teu comentário (a tua opinião é fundamental); Clica no Gosto para ajudar o algoritmo; Subscreve o canal para não perderes os próximos episódios; Seja membro apoiante do canal. Até ao próximo documentário!

@mariomaia3458 · 03/09/2026 · 👍 4

O que é certo é que a barragem ainda lá está e fornece eletricidade para Moçambique e não só . Só podemos agradecer a todos os que a construiram e a protegeram! Um grande bem haja a todos

@glendodds3824 · 03/09/2026 · 👍 4

It's great to see more information on the war in Mozambique.

@TimSerras · 03/09/2026 · 👍 5

Viajava nessas famosas colunas militares entre o Vanduzi e Tete. As poucas emboscadas da Frelimo eram ineficientes. Havia sempre um avião T-6 Texan a fazer a cobertura aérea.

@cesarefelippe3977 · 02/09/2026 · 👍 3

Excelente matéria! Excepcional trabalho, parabéns ao canal 👏👏👏🇵🇹🇧🇷

@carlosnabeiro7845 · 02/09/2026 · 👍 3

Conheci pessoalmente Kaúlza de Arriaga quando visitou o aquartelamento onde eu estava incorporado na ZOT.

@bolsa3136 · 03/09/2026 · 👍 3

Fascinante ser informado sobre isto. Peço uma vez mais que usem mapas da area e setas para mostrar onde seria as defesas/intercepccoes.

@carlosnabeiro7845 · 02/09/2026 · 👍 3

Fui operacional na ZOT, de 1968 a 1970. A sede do Batalhão estava sediada em Furancungo. A companhia a que eu pertencia, estava "aquartelada " em Vila Gamito. Fiz "operações" helitransportadas em Alloete III descaracterizados emprestados pela Rodésia com pisteiros do exercito rodesiano. Entre eles alguns portugueses que, acabaram a comissão e se alistaram no exercito de Ian Smith. Nunca estive na Barragem.