Henry Ford ergueu uma cidade americana na Amazônia, e nunca foi lá ver

29/10/2026 · Gibi História

Descrição

Em 1927, Henry Ford, o homem que pôs o carro numa linha de montagem, quis borracha própria pros pneus. Pagou uns 125 mil dólares ao intermediário Jorge Dumont Villares por terra à beira do rio Tapajós, no Pará, que o governo do estado concedia de graça a quem plantasse seringueira. Em 1928 começou a obra de Fordlândia: navios trouxeram dos Estados Unidos casas de madeira, hospital, hidrantes e campo de golfe, e na cidade valia a lei seca.

O cardápio também era americano, aveia, pêssego em lata e pão integral, pra trabalhadores que comiam peixe, farinha e feijão. Em dezembro de 1930, a ordem de fazer fila de bandeja no refeitório novo virou motim: o Quebra-Panelas, que pôs os gerentes pra correr. Nas seringueiras plantadas coladas, em fileira, o mal-das-folhas, um fungo, fez a festa. Em 1934 a plantação foi levada pra Belterra, perto de Santarém, e a produção seguiu baixa.

Em 1945, com a borracha sintética, a Ford vendeu tudo ao governo brasileiro por uns 250 mil dólares. O prejuízo é estimado entre 9 e mais de 20 milhões de dólares, conforme a fonte. Pela conta do historiador Greg Grandin, nenhuma gota do látex de Fordlândia chegou a um carro Ford. Henry Ford morreu em 1947 sem nunca ter visitado a cidade que levava o nome dele.

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