#EXCLUSIVO: IDAI, UM CICLONE ASSASSINO DE VIDAS, SONHOS E LARES: TV SUCESSO FALA COM SOBREVIVENTES

14/10/2026 · TV Sucessomoz

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#EXCLUSIVO: IDAI, UM CICLONE ASSASSINO DE VIDAS, SONHOS E LARES: TV SUCESSO FALA COM SOBREVIVENTES 6 ANOS DEPOIS

Moçambique, pela sua localização costeira no Oceano Índico, está entre os países mais vulneráveis às mudanças climáticas e aos ciclones tropicais. As províncias de Inhambane, Sofala e Zambézia estão entre as mais afectadas por esses fenómenos.

O ciclone Idai foi o mais devastador a atingir Moçambique. Formado a partir de uma depressão tropical em 4 de março de 2019, o sistema ganhou força e, após atravessar o Canal de Moçambique, atingiu o país com intensidade, tendo destruído fortemente infraestruturas, ceifou vidas e interrompeu sonhos de milhares.

Seis anos depois, a TV Sucesso regressou à cidade da Beira, na província de Sofala, no mesmo dia em que se assinalaram os 118 anos da urbe, para ouvir testemunhos emocionantes de sobreviventes, que recordam com dor e tristeza os momentos vividos.

Para António Manuel, 2019 foi o ano mais doloroso da sua vida. Em entrevista exclusiva à TV Sucesso, contou que perdeu três filhos, entre eles um par de gémeos. Recorda que, no dia em que o ciclone entrou na sua casa, os filhos pediram socorro em vão. Restou-lhe apenas enterrar as crianças em três pequenos caixões.

Outro sobrevivente, Vasco Guente, revelou ao repórter Julião Job que perdeu a esposa quando uma parede, derrubada pela força do ciclone, caiu sobre ela. Desde então, vive apenas com os seus quatro filhos. Em 2019, foi filmado pela TVM com a filha mais nova, então com apenas um ano. Hoje, a menina tem seis anos, já frequenta a escola, mas cresceu sem a mãe. Vasco lamenta nunca ter recebido apoio governamental e sobrevive graças à solidariedade de vizinhos.

Graça Correia também carrega marcas profundas. Perdeu o filho durante a tragédia e lembra-se de ter sido obrigada a carregá-lo às costas para o enterro, que foi feito às pressas, como se a vida tivesse sido abreviada sem despedida.

Já Luísa José, grávida na altura do desastre, perdeu o esposo, Atanásio, dentro da própria casa, quando as paredes desabaram. Apesar da queda e do choque, conseguiu levar a gravidez até ao fim e a criança nasceu saudável, mas órfã de pai. Luísa afirma que até hoje não recebeu qualquer apoio governamental e pede ajuda para criar os filhos.

Na Praia Nova, João perdeu sete familiares, além de barcos e redes de pesca. Hoje, luta para reconstruir a vida e deixar para trás as memórias amargas de Idai.

O presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, reconheceu que muitos sobreviventes ficaram de fora dos processos de assistência. Sublinhou, no entanto, que os impactos de Idai foram devastadores.

Segundo Carige, já foram entregues cerca de 6 mil casas, e o plano global de reconstrução encontra-se entre 40% e 45% de execução.

Na cidade da Beira, estima-se que 70% da área urbana tenha sido afectada pelo ciclone, registou-se oficialmente 60 mortos apenas no município.

Apesar das marcas deixadas pela tragédia, a cidade da Beira tenta se reerguer. Ontem, durante as celebrações dos 118 anos da urbe, o edil Albano Carige disse que Beira é uma cidade resiliente e que a população já não vive de “mãos estendidas”, mas procura soluções para se reconstruir.

Reportagem: Julião Job
Imagens: César Mariquele
Edição: Bernardo Nhangale
Texto: Elves Abel Mucachua

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